Motorista de ônibus já foi deputado federal ou senador no Brasil?

Brasil já teve motorista de ônibus eleito deputado federal ou senador?
Motoristas de ônibus têm buscado espaço na política brasileira, mas a presença dessa categoria no Congresso Nacional ainda é uma raridade. Embora diversas candidaturas tenham sido registradas, não há evidências concretas de que um motorista de ônibus tenha conquistado uma cadeira como deputado federal ou senador até agora.
Um exemplo recente é Clébio Ramos de Souza, mais conhecido como Clébio Motorista, que disputou uma vaga de deputado federal pelo PSDB em Mato Grosso nas eleições de 2026. Ele se apresentou como motorista de transporte coletivo de passageiros e obteve 8.450 votos, embora não tenha sido eleito. Antes disso, Clébio já havia garantido uma cadeira como vereador em Pontes e Lacerda, em 2020 e 2024, sinalizando uma trajetória política crescente que pode influenciar positivamente a mobilidade urbana.
Outro candidato, Valdeney Valdeci de Oliveira, conhecido como Motorista Valdeney Leite, também tentou a sorte no Paraná, recebendo 335 votos e ficando fora da Câmara dos Deputados. Em Minas Gerais, Lázaro Alves Mota, ou Lázaro Motorista, fez sua tentativa pelo Avante, com 3.016 votos, enquanto Carlos Henrique Silva de Sá, o Galo Motorista em Sergipe, terminou com 408 votos ao concorrer pelo PDT. Todos eles declararam suas profissões de motoristas de transporte coletivo ao Tribunal Superior Eleitoral.
Essas tentativas de entrada na política têm um impacto significativo na representação de trabalhadores da mobilidade urbana. Em 2019, por exemplo, uma proposta no Senado, apresentada pelo senador Acir Gurgacz, buscou incluir os condutores de transporte coletivo na legislação trabalhista, conferindo-lhes mais proteção. Embora a proposta tenha avançado na Comissão de Assuntos Sociais, o fato de não ter se tornado lei ainda destaca a complexidade das questões que envolvem os direitos dos motoristas.
Enquanto as candidaturas de motoristas de ônibus ao Congresso mostram a vontade da categoria de se fazer ouvir, elas também ressaltam a carência de representação no Legislativo. A falta de um ex-motorista de ônibus em cargos de destaque aponta para desafios maiores na mobilidade urbana e política. A participação ativa de motoristas na política pode, potencialmente, trazer à tona questões cruciais para a classe, como condições de trabalho, segurança e direitos trabalhistas, além de influenciar políticas públicas que melhoram a mobilidade para todos.
Nesse contexto, é essencial que o movimento dos motoristas em direção à política continue, buscando não apenas a representação, mas também um diálogo que abarque as necessidades de todos os que dependem do transporte coletivo. A construção de uma mobilidade mais eficaz e justa passa por um engajamento político que considere a voz daqueles que operam diretamente no dia a dia das cidades.
Fonte: brasildotrecho






