Especialistas respondem perguntas sobre nova jornada de trabalho 6×1.

Especialistas esclarecem dúvidas de transportadoras sobre fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho

Na manhã de 29 de outubro, uma live promovida pelo SETCESP trouxe importantes esclarecimentos sobre a nova legislação que altera a jornada de trabalho nas transportadoras. Diversos especialistas, incluindo um economista e um advogado trabalhista, discutiram as implicações do término da escala 6×1 e a redução da carga horária.

Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, enfatizou a necessidade de as empresas se prepararem para os efeitos financeiros dessa mudança, que poderá impactar diretamente suas planilhas de custos.

O assessor jurídico do SETCESP, Narciso Figueirôa Jr., detalhou a Emenda Constitucional 141/2026, que estabelece a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, acompanhada de salários inalterados e dois dias de descanso remunerado, preferencialmente aos domingos. As mudanças se iniciarão em 16 de dezembro de 2026, começando com uma jornada de 42 horas que, um ano depois, será reduzida para 40.

Figueirôa também frisou que os descansos não precisam ser fixos a determinados dias e podem ser ajustados conforme a demanda das atividades, o que oferece flexibilidade para as transportadoras na reorganização de suas escalas.

Impactos financeiros e na produtividade

A economista Raquel Serini, coordenadora de projetos do IPTC, apresentou simulações que demonstram como a redução da jornada pode afetar os custos das transportadoras. O custo da hora trabalhada pode aumentar em até 10% com a adaptação à nova carga horária. No entanto, Serini destacou que esse aumento não necessariamente se reflete numa elevação proporcional do custo total do transporte, visto que a mão de obra é apenas uma parte dos custos operacionais.

Outro ponto importante levantado foi a possibilidade de otimização da produtividade. Com a redução do tempo de espera dos motoristas para liberação nas docas e mitigação de atrasos, as transportadoras podem ver uma melhoria significativa na eficiência operacional. Isso é essencial para a mobilidade e pode beneficiar tanto as empresas quanto os motoristas, resultando em menores períodos de inatividade e mais tempo efetivamente trabalhando.

Para facilitar a transição, Serini sugeriu cinco medidas que devem ser priorizadas pelas transportadoras: mapeamento de jornadas, cálculo do custo da hora trabalhada, simulações de contratações, revisão de contratos e monitoramento de indicadores de produtividade. Uma ferramenta de simulação de impacto foi disponibilizada pelo IPTC, permitindo que as empresas visualizem diferentes cenários e façam análises estratégicas.

Esses ajustes são cruciais para garantir que as transportadoras permanecem competitivas no mercado, além de promover uma mobilidade mais eficiente e sustentável. A adaptação à nova legislação não é apenas uma exigência legal, mas uma oportunidade para que as transportadoras se reestruturem e melhorem suas práticas, beneficiando diretamente motoristas e a dinâmica do transporte como um todo.

Fonte: SETCESP

Equipe Redação

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