Frete médio está 10,1% abaixo dos custos de transporte.

Valor médio do frete está 10,1% defasado em relação aos custos do transporte
Uma análise de custos indica que o setor de transporte rodoviário enfrenta uma defasagem significativa nos valores dos fretes, com um impacto direto na operação de empresas e motoristas. Esses dados, divulgados pela NTC&Logística, revelam que, apesar da recuperação em volumes de carga para parte das empresas, a rentabilidade continua comprometida. Três fatores principais estão em jogo, exigindo uma pronta recomposição das tarifas.
Impacto dos Novos Custos com Seguros
A nova legislação, a Lei 14.599/23, trouxe a obrigatoriedade de seguros que transferem custos substanciais e riscos ao transporte. Para cobrir esses gastos, muitos operadores adotaram a Taxa de Seguro Obrigatório (TSO). Isso altera diretamente o preço do frete, afetando tanto motoristas independentes quanto empresas de transporte.
Fim da Leniência no Piso Mínimo
Com a Lei 13.703/18, a fiscalização eletrônica acabou com a prática de valores abaixo da tabela mínima, forçando todos a cumprirem o piso como um padrão irrenunciável. Essa conformidade é essencial, mas também pressiona margens, tornando o trabalho mais instável para motoristas e empresas que ainda não ajustaram seus preços.
Perda de Produtividade e Custo Social
Decisões judiciais relacionadas ao tempo de espera e descanso aumentaram os custos fixos e reduziram a disponibilidade da frota. Além disso, a escassez de motoristas qualificados adiciona mais pressão sobre as operações, forçando investimentos em retenção e benefícios, o que pode impactar a mobilidade geral ao limitar a oferta de transporte.
O Cenário da Defasagem Tarifária
Embora haja estabilidade nos custos operacionais, o setor ainda enfrenta um cenário desafiador. A incapacidade de repassar a inflação acumulada afeta a saúde financeira das transportadoras. De acordo com a pesquisa da NTC, o frete atual apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais, o que prejudica não apenas as empresas, mas também a eficiência do transporte no país.
Evolução dos Custos: Um Olhar Acumulado
Os custos operacionais, como custos de caminhão e mão de obra, têm mostrado um aumento considerável. Esse crescimento reflete-se nas tarifas, impactando a mobilidade e a competitividade do setor. Por exemplo, em 36 meses, o custo com caminhões subiu 23,3% e com mão de obra, 20,2%. Essa elevação nos custos não é acompanhada por um aumento proporcional nas tarifas, causando uma pressão adicional sobre motoristas.
Perspectivas e Desafios para 2026
O ano de 2026 já inicia com novos desafios inflacionários e operacionais que exigem atenção imediata. A carga tributária aumentará com a segunda fase da reoneração da folha de pagamento e a alta da Selic torna os custos com financiamentos mais onerosos. Uma abordagem rigorosa na aplicação dos componentes tarifários se torna vital para assegurar a cobertura de custos.
Conclusão
A sustentabilidade das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem de uma rápida recomposição dos preços. Se essa defasagem não for tratada, a viabilidade financeira do setor estará em risco, o que, a longo prazo, comprometerá a mobilidade no Brasil.
Fonte: blogdocaminhoneiro






