Cresce migração para elétricos, e Uber reduz tarifas e jornadas.

Postagem: Quanto mais motoristas migram pro elétrico, mais a Uber ajusta pra baixo o valor das corridas

Presta atenção no que eu vou te dizer: quanto mais motoristas aparecem com carro elétrico, mais a Uber tende a reduzir tarifa. Isso não é achismo. Ao longo de 2025, a empresa fez várias alterações na dinâmica e no valor bruto das viagens. Não foi apenas a mudança do limite da dinâmica, mas também a redução do valor final que chega para os motoristas. Corridas que antes apresentavam diferença significativa com a dinâmica agora precisam de ajustes. Além disso, houve um ajuste notável na tarifa mínima. Quem roda Uber percebeu isso em diversos momentos do ano.

E isso, para mim, não acontece por acaso. É proposital e calculado. À medida que a frota vai se eletrificando, a Uber observa e pensa: “Os motoristas estão economizando combustível, então eu não preciso aumentar a tarifa; posso reduzir um pouco e ainda assim eles continuarão rodando.” Ou seja, o ganho do motorista se transforma em espaço para a plataforma apertar os preços.

Na prática, quem possui um carro elétrico tende a fazer tudo dentro do app: viagens, entregas, e diferentes categorias. Por exemplo, um motorista que usa um carro premium para trabalhar o dia inteiro em várias frentes. E por que ele faz isso? A maioria não compra um carro de 150 ou 160 mil reais à vista; frequentemente, é feito um financiamento com um compromisso elevado. As parcelas podem ser altas.

A lógica do motorista é clara: “Economizo combustível, então consigo bancar o carro.” Ouvindo de motoristas em Salvador, muitos conseguem pagar até duas parcelas por mês devido ao custo menor de energia e à quase inexistente manutenção em comparação ao combustível. Porém, isso requer uma jornada de trabalho mais longa e a exploração de várias categorias.

A Uber está atenta a isso. Eu rodo desde o primeiro dia da empresa em Salvador, com um histórico de corridas desde 2016. Posso garantir que não houve aumento real de tarifas. Sempre houve manobras para reduzir, especialmente após 2021, quando o multiplicador foi removido. Desde então, a queda nas tarifas tem sido evidente. A partir de 2025, essa tendência se consolidou, refletindo a eletrificação crescente da frota.

Você pode se perguntar: “Então não vale a pena comprar um carro elétrico?” Não estou dizendo isso. A decisão de compra é pessoal. Cada um deve fazer suas contas e assumir a responsabilidade. Este não é um incentivo à troca de carros, e nem todos estão prontos para essa mudança.

Vale destacar que mesmo quem mantém seu veículo atual — seja a gasolina, GNV, ou outro — também será impactado pelas estratégias da Uber, assim como os motoristas de elétricos. A plataforma ajusta tarifas para todos.

Por isso, reitero algo que venho comentando há anos: não dependa unicamente da Uber. Busque outras fontes de renda e utilize a Uber como um complemento. Quando você depende só dela, acaba refém de sua política de tarifas e da necessidade de esticar jornadas para sobreviver. Isso é exatamente o que a plataforma deseja.

Fonte: 55content

Equipe Redação

Equipe de redação é um grupo de profissionais que trabalham juntos para criar conteúdo escrito para Motorista.com.br
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