Crescimento de caminhões elétricos no Brasil: nossas estradas aguentam?

Caminhão elétrico vai crescer no Brasil, mas nossas estradas estão preparadas?
A presença de caminhões elétricos em grandes cidades brasileiras deve se tornar uma realidade crescente nos próximos anos. Entretanto, a transformação nas longas distâncias das BRs será mais gradual.
A Empresa de Pesquisa Energética prevê que, em 2035, os caminhões elétricos a bateria representarão 19% dos novos licenciamentos entre os modelos semileves e leves, alcançando aproximadamente 43 mil unidades no Brasil. Contudo, para caminhões pesados e semipesados, o diesel deverá continuar como protagonista.
Essa transição inicial deve ocorrer principalmente nas entregas urbanas e na distribuição regional, onde as rotas são mais previsíveis e a infraestrutura de recarga é mais viável. A Volkswagen, por exemplo, já produz o e-Delivery, o primeiro caminhão elétrico 100% nacional, enquanto a Scania também está se aventurando nesse mercado.
Testes reais, como o da Mercedes-Benz com o eActros 300, indicam que esses veículos estão preparados para operações urbanas, com autonomia média diária de cerca de 250 quilômetros. Esse dado é promissor, mas evidencia a limitação em viagens mais longas.
O desafio das longas distâncias
Atualmente, um caminhoneiro a diesel pode viajar de São Paulo ao Nordeste com confiança, sabendo que há postos de combustível ao longo do percurso. Em contrapartida, a realidade para um caminhão elétrico em uma viagem longa é bem diferente. Apesar de o Brasil contar com mais de 20 mil pontos de recarga, a maioria deles está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, dedicando-se mais à recarga de veículos leves do que a caminhões.
A EPE reconhece a falta de infraestrutura adequada, afirmando que as estações de carregamento ainda não são suficientes nem bem distribuídas para atender todo o território nacional. Essa situação é uma barreira que impacta diretamente a mobilidade e a logística das cargas.
Potencial elétrico do Brasil
Por outro lado, o Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, com 86,8% proveniente de fontes sustentáveis, o que seria um grande atrativo para a adoção dos caminhões elétricos. No entanto, a distribuição dessa energia e a criação de uma rede de recarga eficiente continuam sendo os principais desafios.
Um centro de distribuição com múltiplos caminhões elétricos demanda um planejamento cuidadoso para garantir que a carga de energia esteja disponível. A EPE já prevê um aumento significativo no consumo elétrico da eletromobilidade, o que exigirá um reajuste no sistema elétrico brasileiro.
O peso do investimento inicial
Para caminhoneiros autônomos, o custo inicial de um caminhão elétrico é uma barreira significativa. Um estudo comparativo revelou que o preço de um caminhão elétrico pode chegar a R$ 1,35 milhão, enquanto um modelo a diesel custa cerca de R$ 510 mil. Embora os custos operacionais sejam mais baixos para os elétricos, o investimento inicial ainda pesa muito e pode desencorajar a adoção.
As transportadoras maiores têm vantagens em eletrificar rotas fixas, enquanto caminhoneiros autônomos enfrentam mais desafios ao depender de uma rede pública de recarga.
O futuro da mobilidade elétrica no Brasil
A tendência é que os caminhões elétricos avançem primeiro nas operações urbanas, onde a quilometragem é controlada e a possibilidade de recarga no mesmo local é viável. Aplicações de última milha, como entregas de supermercado e bebidas, são os primeiros passos dessa transformação.
Embora a infraestrutura ainda esteja em desenvolvimento e a transição em rotas de longa distância seja complexa, o Brasil está começando a se preparar para a eletrificação pesada. Com a energia disponível e os primeiros caminhões já em operação, o foco agora é criar uma rede confiável que suporte a extensão das viagens, garantindo que os caminhoneiros possam contar com recargas rápidas e seguras.
Fonte: brasildotrecho






