Porto de Santos busca diminuir a dependência de caminhões.

Porto de Santos Quer Reduzir Dependência dos Caminhões

A Autoridade Portuária de Santos (APS) está investindo em ferrovia, tecnologia e novos acessos para suportar a expansão do maior porto do Brasil. O crescimento na movimentação de cargas no Porto de Santos destaca um dos principais desafios logísticos do país: a dependência excessiva do transporte rodoviário. Em 2025, o porto movimentou 186,4 milhões de toneladas, um acréscimo de 3,6% em relação ao ano anterior, mas a maioria do transporte ainda é feita por caminhões, que representam cerca de 30% do comércio exterior brasileiro.

Felipe Fray, gerente de Controle de Acessos Logísticos da APS, revelou que aproximadamente 2,8 milhões de veículos pesados circulam anualmente pelo porto. Durante sua participação no Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas, ele destacou que aumentar a participação ferroviária é crucial para sustentar a expansão operacional. Hoje, cerca de 36% das cargas do Porto de Santos são transportadas por ferrovia, e a APS espera que essa participação cresça nos próximos anos.

A crescente quantidade de caminhões impacta negativamente a infraestrutura viária, aumentando custos de manutenção, congestionamentos e diminuindo a eficiência dos acessos ao porto. Fray observa que "o caminhão é muito mais prejudicial para um pavimento do que um veículo de passeio", refletindo a necessidade urgente de diversificação no transporte.

Tecnologias e Integração Logística

Além do foco em ferrovia, a APS está investindo em soluções tecnológicas para melhorar a capacidade operacional do porto. A implementação de simulações computacionais para validar projetos de navegação é uma das iniciativas planejadas, assim como a integração dos centros de controle dos acessos terrestres e marítimos através de sistemas inteligentes de monitoramento e gerenciamento de tráfego.

Outro aspecto importante é o estudo para ampliar a capacidade da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS) e incentivar o uso de dutovias para o transporte de granéis líquidos, um modal considerado mais eficiente para esse tipo de carga. Essas alternativas têm o potencial de aliviar a pressão sobre o sistema rodoviário, embora dependam de avanços regulatórios, ambientais e novos investimentos.

O Porto de Santos, que recebe em média 5.772 navios por ano e mantém operações com mercados asiáticos, destaca a complexidade da coordenação entre os modais terrestre e marítimo. A necessidade de investimentos para acompanhar a crescente demanda é evidenciada pela busca de soluções mais integradas e sustentáveis.

Implicações para Motoristas e Mobilidade

A transição para um sistema logístico mais equilibrado, que diminua a dependência de caminhões, pode trazer significativas vantagens para os motoristas. Essa mudança tende a simplificar a circulação de veículos, reduzindo congestionamentos e melhorando a segurança nas estradas. Com a menor carga de tráfego, motoristas poderão ter trajetos mais ágeis e previsíveis, resultando em maior eficiência e economia de tempo.

Além disso, a utilização de modais mais eficientes, como a ferrovia e as dutovias, pode resultar em menos desgaste nas vias e na frota de caminhões, beneficiando não apenas os motoristas mas também a comunidade em geral, com menos poluição e um ambiente mais seguro para todos.

Portanto, a iniciativa do Porto de Santos não apenas aborda os desafios da logística brasileira, mas promete um impacto positivo na mobilidade urbana e rural, refletindo um futuro mais sustentável e eficiente para o transporte de cargas.

Fonte: Setcesp

Equipe Redação

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