Falta de motoristas aumenta pressão nas transportadoras e afeta competitividade.

Escassez de motoristas amplia pressão sobre transportadoras e ameaça competitividade do setor
Levantamento apresentado pela CNT aponta que a função de motorista lidera o número de vagas em aberto no transporte rodoviário de cargas, um cenário que preocupa empresas e entidades do setor.
A escassez de motoristas profissionais já figura entre os principais entraves para a sustentabilidade e a competitividade do transporte rodoviário de cargas no Brasil. O alerta foi apresentado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) durante o XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas.
De acordo com a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a função de motorista é atualmente a que concentra o maior número de vagas não preenchidas, com quase metade das empresas de transporte enfrentando dificuldades para completar seus quadros de colaboradores. Essa situação impacta diretamente a mobilidade e a eficiência do transporte de cargas no país, refletindo em prazos de entrega e custos logísticos elevados.
Esse panorama é inquietante, uma vez que o transporte rodoviário responde por 64,85% da matriz brasileira de transporte de cargas, representa 44% da receita do setor e mantém cerca de 1,3 milhão de vínculos ativos. Em 2025, o setor gerou 47.440 novos empregos, o que evidencia a crescente demanda por profissionais qualificados e a necessidade de uma resposta ágil a essa lacuna.
Fernanda Rezende ressalta que a falta de mão de obra deixou de ser um problema pontual e se tornou uma realidade permanente, que exige a atenção de todo o setor. Essa escassez não apenas ameaça a continuidade das operações logísticas, mas também pode comprometer a competitividade das empresas, tornando a profissão de motorista menos atrativa em comparação a outras áreas.
As transportadoras têm respondido a essa crise com investimentos em programas de formação, retenção de talentos e qualificação profissional. No entanto, especialistas afirmam que essas iniciativas, isoladamente, não serão suficientes para atender à crescente demanda por motoristas. A dificuldade em preencher vagas pode resultar em atrasos nas entregas, aumento de custos e limitação na capacidade de expansão das empresas, especialmente em um mercado que ainda depende fortemente do modal rodoviário.
Diversos fatores contribuem para essa persistente escassez, como o envelhecimento da força de trabalho, a baixa adesão de jovens à profissão e as exigências rigorosas da atividade. Frente a essa realidade, entidades do setor destacam que o combate à escassez de motoristas requer ações colaborativas entre empresas, organizações representativas e o poder público, com foco na valorização da carreira e na revisão de políticas voltadas ao mercado de trabalho.
A tendência é que a falta de profissionais continue a ser um dos principais desafios da logística brasileira nos próximos anos. Essa situação não apenas afeta o setor de transporte, mas também repercute na mobilidade geral do país, uma vez que a eficiência na entrega de produtos é fundamental para o funcionamento adequado da economia.
Fonte: Carta de Logística






