Canais concedidos criam oportunidades para megainvestimentos

O governo federal está implementando um novo programa para aumentar a presença de navios de grande porte nos portos brasileiros, por meio da concessão de canais de acesso. Sob a coordenação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), esse modelo visa garantir a manutenção contínua da infraestrutura aquaviária, aprimorar a previsibilidade operacional e reduzir os custos logísticos para exportadores e importadores.
A iniciativa aborda um dos principais desafios logísticos do sistema portuário nacional: a limitação dos canais de acesso. Essa restrição impede a operação eficiente de embarcações maiores em vários portos, comprometendo a competitividade das exportações brasileiras. Muitas vezes, os navios são forçados a operar com carga restrita ou dependem de janelas de maré para manobras, o que impacta diretamente em sua produtividade.
A proposta envolve conceder à iniciativa privada a gestão, manutenção e exploração dos canais de navegação, bacias de evolução e áreas de fundeio. Essa abordagem está alinhada a uma estratégia maior de modernização portuária, que inclui dragagem, sinalização náutica e gestão do tráfego aquaviário.
Segundo o ministro Tomé Franca, essa inovação visa preparar os portos brasileiros para as novas demandas do transporte marítimo global. “Com canais de acesso mais modernos e manutenção permanente, garantimos mais previsibilidade nas operações portuárias, possibilitando a entrada de navios maiores e aumentando a eficiência logística. Isso significa custos reduzidos para os exportadores, um reforço na competitividade dos produtos brasileiros e uma adaptação às mudanças do comércio internacional”, afirma.
Corrida pelos megnavios
Com a ampliação dos calados, os portos brasileiros se tornam mais competitivos no cenário global, especialmente considerando o aumento da capacidade das embarcações de carga. Nos últimos 20 anos, os navios porta-contêineres praticamente triplicaram em capacidade, passando de embarcações que transportavam cerca de 5 mil TEUs para aquelas que podem mover mais de 14 mil TEUs.
Portos com profundidade insuficiente obrigam os navios a operar com restrições de carga ou a depender de condições específicas de navegação, o que compromete a produtividade e eficiência operacional.
A Agência Transporte Moderno destacou que o Porto de Santos, o principal do Brasil, está avançando para receber navios de maior porte. A Autoridade Portuária de Santos (APS) já contratou obras para aprofundar o canal a 16 metros, com um investimento estimado em R$ 617,9 milhões. Atualmente, navios de até 366 metros já operam lá, mas ainda com restrições em condições específicas.
Estudos da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) ressaltam que navios de 400 metros podem transportar quase três vezes mais contêineres do que os modelos de duas décadas atrás. Este ganho de escala não só diminui o custo por contêiner, mas também reduz o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa.
Paranaguá abriu caminho
O primeiro projeto do novo modelo foi o leilão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), realizado em outubro de 2025. Considerada pioneira no país, essa concessão visa investimentos superiores a R$ 1 bilhão ao longo de 25 anos.
Outros projetos estão em andamento, como o canal de acesso ao Porto de Itajaí (SC), que já teve o processo encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), com investimentos previstos de mais de R$ 300 milhões. Estudos também estão sendo conduzidos para os portos de Santos (SP), Rio Grande (RS) e da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba).
Para o governo, a melhoria nas condições dos calados e a manutenção contínua dos canais são passos essenciais para que os portos brasileiros se alinhem às exigências globais do transporte marítimo, preservando assim a competitividade no comércio exterior do país.
Fonte: transportemoderno






