Lições do Brasil para o Japão na transição energética.

País asiático quer elevar participação de fontes renováveis para até 50% da eletricidade até 2040, enquanto Brasil já supera 88%
Quando se fala em tecnologia, o Japão é frequentemente reconhecido como um modelo para países emergentes, incluindo o Brasil. No entanto, em um aspecto crucial, a transição energética, o Brasil mostra uma liderança notável.
Os dados da matriz energética evidenciam essa posição: enquanto o Brasil encerrou 2024 com impressionantes 88,2% de sua geração elétrica proveniente de fontes renováveis, o Japão ainda conta com uma dependência significativa de combustíveis fósseis, que foram responsáveis por cerca de 67,5% da geração elétrica no mesmo ano.
A diferença entre os dois países se destaca nas metas e na realidade atual. O Japão estabelece objetivos ambiciosos de neutralidade de carbono até 2050 e visa aumentar a participação das renováveis entre 40% e 50% até 2040, mas a distância entre o estado atual e essas metas é considerável.
No Brasil, a abordagem é distinta. A energia limpa não só reduz emissões, mas também promove segurança energética, uma característica que poderia servir de lição valiosa ao Japão. A capacidade do Brasil de utilizar recursos internos abundantes, como água e biomassa, garante uma matriz mais resiliente aos choques de mercados internacionais.
Essa segurança energética proporciona estabilidade aos motoristas e à mobilidade geral, assegurando um fornecimento de energia mais confiável, o que, por sua vez, contribui para um trânsito mais eficiente e sustentável. A redução da dependência externa pode significar menos flutuações nos preços dos combustíveis e um impacto positivo no custo do transporte.
Valorizando a bioenergia
Outro aspecto em que o Brasil brilha é na bioenergia. A incorporação de biocombustíveis à sua matriz energética ao longo de décadas não apenas contribuiu para a redução de emissões, mas também se tornou uma parte crucial da estratégia energética do país. A meta de alcançar 18% de bioenergia sustentável na matriz energética até 2030 mostra o compromisso do Brasil com a inovação e a sustentabilidade.
Embora o Japão enfrente desafios devido a limitações territoriais e à disponibilidade de recursos agrícolas, sua busca pela integração de combustíveis de baixo carbono pode se beneficiar da experiência brasileira. A conexão entre políticas industriais e a utilização de bioenergia pode ajudar a desenvolver soluções eficazes para segmentos desafiadores, como transporte pesado e aviação.
Uma transição mais ampla
O exemplo brasileiro também sugere que a transição energética não se limita à geração de energia renovável. O Brasil tem demonstrado que políticas industriais e incentivos para inovações tecnológicas podem fomentar o crescimento de mercados relacionados à bioenergia e outras energias limpas. Com os investimentos direcionados à expansão da energia solar e eólica, o Brasil está pavimentando o caminho para um futuro energético sustentável.
Para o Japão, essa abordagem pode ser inspiradora. À medida que busca desenvolver cadeias relacionadas a tecnologias limpas, a experiência brasileira destaca que a política energética pode atuar como um motor de desenvolvimento industrial, ampliando as oportunidades e reduzindo as emissões simultaneamente.
Metas comuns, realidades diferentes
Tanto Brasil quanto Japão têm como objetivo a neutralidade climática até 2050, mas suas realidades são diferentes. Enquanto o Japão busca reduzir suas emissões em 60% até 2035, o Brasil, com uma matriz elétrica predominantemente renovável, tem potencial para liderar com uma redução significativa de até 67% das emissões.
Este cenário evidencia a importância de aprender um com o outro, especialmente na construção de um futuro mais sustentável na mobilidade, que deve considerar não apenas as emissões, mas também a acessibilidade e a segurança energética que impactam diretamente os motoristas.
Fonte: setcesp






