Estudo revela que pneus nacionais têm vida útil 16% superior.

Um levantamento realizado pela Junsoft, empresa especializada em tecnologia para o setor de recapagem, indica que pneus produzidos no Brasil apresentam desempenho superior aos importados quando o critério analisado é a capacidade de reforma.

Segundo o estudo, a durabilidade média das carcaças nacionais é 16% maior, o que pode reduzir custos operacionais das transportadoras e minimizar a geração de resíduos. A pesquisa analisou 709 mil pneus de caminhões e ônibus processados entre janeiro de 2025 e maio de 2026 por reformadoras que utilizam os sistemas da empresa.

A amostra abrange cerca de 15% do universo nacional de pneus recapados nesses segmentos, reunindo aproximadamente 400 marcas comercializadas no mercado brasileiro. Os pneus nacionais alcançam, em média, 1,94 vida útil — praticamente duas reformas ao longo de sua trajetória. Em contraste, os importados possuem uma média de apenas 1,78.

Rejeição na primeira recapagem

A principal diferença surge no momento da primeira avaliação da carcaça para recapagem. Nessa etapa, 21,6% dos pneus importados são rejeitados, enquanto 16,9% dos nacionais não passam pela primeira reforma. Isso implica que quase um em cada cinco pneus importados não consegue sequer iniciar o processo de reutilização, resultando em um impacto significativo na logística e nos custos das transportadoras.

Esses dados evidenciam uma mudança no mercado brasileiro. A participação dos pneus fabricados no País caiu de 73% em 2020 para 41% em 2025, um movimento que amplia a presença de marcas importadas no segmento.

Para Guilherme Gazzoni, CEO da Junsoft, este levantamento transforma em indicadores objetivos percepções que já existiam entre reformadores e transportadores. “O mercado brasileiro de recapagem movimenta R$ 7 bilhões por ano e, frequentemente, decisões eram fundamentadas em experiências subjetivas. O levantamento é um divisor de águas, confirmando o que antes eram percepções”, afirmou.

Gazzoni também ressalta que existem pneus importados com desempenho equivalente ou superior ao das marcas nacionais, mas a variabilidade no desempenho é menor nos pneus fabricados no Brasil. A escolha apenas pelo preço pode levar o consumidor a custos mais altos a longo prazo, devido à necessidade de reposição frequente.

Custo das frotas

A capacidade de recapagem afeta diretamente o custo por quilômetro (CPK) das operações de transporte. Para uma frota hipotética de 100 caminhões, com 18 pneus por veículo e, considerando o preço médio de R$ 2 mil por pneu, a diferença na taxa de rejeição pode resultar em uma economia superior a R$ 123 mil ao ano. Essa economia é crucial para a viabilidade das operações, especialmente em um cenário onde as margens de lucro podem ser muito apertadas.

Além do impacto financeiro, a recapagem tem uma relevância ambiental significativa. O Brasil abriga a segunda maior indústria de reforma de pneus do mundo, uma atividade estratégica para reduzir o consumo de matérias-primas e o descarte de resíduos. Um caminhão operando durante 20 anos com pneus capazes de receber múltiplas reformas pode gerar consideravelmente menos resíduos em comparação a veículos que utilizam carcaças com baixo potencial de reaproveitamento.

Considerando o aumento da frota e a necessidade de uma mobilidade mais sustentável, esses dados tornam-se fundamentais. Ao priorizar pneus nacionais, não apenas as empresas de transporte podem reduzir seus custos operacionais, mas também contribuir para uma redução significativa na geração de resíduos, promovendo uma mobilidade mais eficiente e consciente.

Fonte: Transporte Moderno

Equipe Redação

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