Apenas 1 em 9 motoristas de app no Brasil são mulheres, revela estudo.

Apesar do crescimento contínuo do setor de mobilidade por aplicativo nos últimos anos, a presença feminina entre os motoristas ainda é alarmantemente baixa. Um levantamento recente indica que as mulheres representam apenas 11% dos motoristas de transporte por aplicativo e 6% dos entregadores no Brasil. Essa realidade levanta questões importantes sobre a diversidade e a inclusão dentro desse mercado, além de impactar diretamente a mobilidade urbana.
A pesquisa, elaborada com base em corridas e entregas registradas entre 2024 e 2025 em todo o país, mostra que, embora a participação feminina se mantenha estável, continua sendo uma fração pequena do total. Para o transporte de passageiros, a participação feminina teve uma leve queda, passando de 11,53% em 2024 para 11,21% em 2025. Apesar dessa leve variação, esse índice se mantém acima de 11% pelo segundo ano consecutivo, sinalizando uma presença que, embora consolidada, continua sendo minoritária.
Os desafios enfrentados pelas mulheres nesse setor são múltiplos e significativos. Jornadas extensas, renda variável e a constante exposição à violência urbana são apenas alguns dos fatores que dificultam o ingresso e a permanência de mulheres na profissão. Esses obstáculos não apenas limitam as oportunidades para as motoristas, mas também afetam a dinâmica geral da mobilidade nas cidades, fazendo com que o potencial feminino no setor permaneça subaproveitado.
Presença feminina ainda menor no delivery
Quando se observa o setor de entregas, a situação é ainda mais desafiadora: as mulheres representam menos de 6% dos entregadores. Embora tenha havido um ligeiro aumento, de 5,55% em 2024 para 5,85% em 2025, o crescimento permanece tímido. Esse cenário ilustra não apenas a falta de diversidade, mas também levanta questões sobre como essa pouca representatividade pode influenciar a mobilidade na entrega de produtos e serviços nas áreas urbanas.
Segurança e responsabilidades domésticas influenciam cenário
Fatores estruturais, como a segurança nas ruas e as responsabilidades domésticas, continuam limitando a inclusão de mulheres no setor. A motorista e empresária Luciana Marçura destaca que muitas mulheres optam por ficar em casa para cuidar de suas famílias, refletindo um ciclo que depriva o mercado de suas contribuições. Luciana gerencia um aplicativo de transporte exclusivo para mulheres, onde motoristas conectam-se a passageiras, crianças e idosos, criando um ambiente que muitas consideram mais seguro.
Crescimento gradual da presença feminina
De acordo com Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Gaudium, a participação feminina no setor avança de forma lenta, mas consistente. Ele ressalta que a discussão não é mais se as mulheres estarão no mercado, mas em que condições elas conseguirão ampliar sua presença. A economia de aplicativos já assimilou a presença feminina, mesmo que em uma proporção reduzida. O verdadeiro desafio agora é criar condições estruturais para aumentar essa participação, promovendo um ambiente de mobilidade mais equilibrado em termos de gênero.
A inclusão de mais mulheres na força de trabalho de motoristas e entregadoras pode ter um impacto significativo na mobilidade urbana. A diversidade contribui para uma gama mais ampla de experiências e necessidades atendidas, influenciando positivamente a qualidade do serviço e a segurança no transporte. Portanto, promover políticas que incentivem a participação feminina não é apenas uma questão de igualdade, mas uma necessidade para um sistema de mobilidade mais eficiente e abrangente.






