Conflito no Irã afeta frete global e força empresas a mudar compras.

A Guerra no Irã intensificou a pressão sobre o frete internacional e os custos logísticos globais desde a ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro, impulsionada por ataques dos Estados Unidos e Israel no território iraniano. Em reação, o governo do Irã fechou o Estreito de Ormuz, rota essencial que concentra cerca de 20% do petróleo mundial, resultando em congestionamentos de petroleiros e uma resposta imediata do mercado.
Essa situação provocou um aumento no preço do barril de petróleo e nos prêmios de seguro marítimo. O impacto dessa dinâmica não é restrito ao setor de energia. Ele afeta diretamente os fretes, as rotas logísticas e a disponibilidade de navios, influenciando significativamente o custo total de importação, ou landing cost.

De acordo com Mateus Botelhos, especialista e sócio-diretor da Level Trade, essa realidade exige uma abordagem proativa. “Conflitos como esse alteram rotas, encarecem seguros e expõem fragilidades contratuais que passam despercebidas em períodos de estabilidade”, ressalta. “O risco maior não está apenas na interrupção imediata das cadeias, mas na falta de preparação estratégica”.
Aumentos de Frete e Necessidade de Revisão do Landed Cost
Além da volatilidade dos preços do petróleo, o conflito pressiona os custos de seguro de cargas marítimas, aumenta o frete internacional e reduz a disponibilidade de navios em rotas críticas. As oscilações cambiais também ampliam a incerteza para importadores e exportadores.
Conforme Botelhos, as empresas devem revisar rapidamente contratos e estruturas de custo. “O gestor não pode se ater apenas ao câmbio. Às vezes, antecipar um embarque pagando um frete mais alto hoje pode ser mais econômico do que suportar um aumento explosivo do combustível na semana seguinte”, explica.
Um ponto crucial destacado pelo especialista é a gestão de fornecedores em regiões de risco. O primeiro passo, segundo ele, é realizar um mapeamento logístico minucioso, identificando rotas críticas e avaliando opções fora da área de conflito. Botelhos também recomenda estruturar estratégias de dual-sourcing e revisar cláusulas de “força maior” em contratos internacionais.
“Empresas muitas vezes percebem tarde demais que suas cargas transitam por rotas vulneráveis. O mapeamento deve ser preventivo e não reativo”, alerta.
No cenário das negociações internacionais, Botelhos enfatiza a importância de monitorar sobretaxas de risco aplicadas por seguradoras e revisar os Incoterms utilizados. “Em instabilidades, ter controle sobre o frete e o seguro – optando por termos que favorecem o importador na logística – pode ser mais seguro do que depender do fornecedor estrangeiro”, afirma.
Além disso, o especialista recomenda um uso estruturado de hedge cambial, acompanhamento contínuo do preço do barril e simulações de cenários de aumento de frete, com revisões periódicas do landed cost. “A gestão da cadeia de suprimentos precisa funcionar em conjunto com a área financeira. Conflitos são riscos geopolíticos, mas seu impacto final é econômico e operacional”, destaca.
Para a Level Trade, empresas que consideram compras e Supply Chain como áreas estratégicas costumam responder mais rapidamente a crises. “Conflitos geopolíticos são inevitáveis. O que diferencia empresas resilientes é a capacidade de antecipar cenários, renegociar contratos e ajustar rotas antes que o mercado entre em pânico”, conclui Botelhos.
Esses desafios não afetam apenas as empresas, mas também têm um impacto direto na mobilidade de suprimentos e produtos no mercado. Motoristas enfrentam dificuldades com o aumento dos custos e a complexidade logística crescente, exigindo uma abordagem mais colaborativa e inovadora para enfrentar as condições dinâmicas e garantir uma operação eficiente.
Fonte: logweb






