Ibovespa pode ultrapassar os 200 mil pontos?

CEO da Empiricus aponta que rejeições de Lula e Bolsonaro pesaram mais do que as agendas políticas dos candidatos nas últimas eleições. (Imagem: iStock)
As vitórias de Bolsonaro em 2018 e de Lula em 2022 foram mais influenciadas pelo sentimento do eleitor em relação aos candidatos do que por suas propostas políticas, de acordo com Felipe Miranda, CEO da Empiricus Research. Segundo ele, houve um grande movimento de rejeição que favoreceu ambos os candidatos, mais do que as suas plataformas eleitorais.
“Tem um erro de diagnóstico”, destacou Miranda em um debate, enfatizando que sua crítica à dinâmica eleitoral não diz respeito às urnas. Ele observou que a escolha do eleitor foi menos sobre as propostas de um Estado mais social-democrata ou uma agenda liberal e mais sobre a rejeição dos candidatos.
O analista ainda relembrou que, após a vitória de Lula em 2022, houve uma onda de otimismo inicial na bolsa, impulsionada pelo histórico positivo do governo Lula entre 2003 e 2007. Contudo, essa percepção mudou ao longo do tempo, especialmente devido a uma política fiscal considerada “frouxa” e ao “excesso de intervencionismo na economia”, que resultaram em um impacto negativo para o mercado financeiro.
Bolsa já está precificando as eleições?
Em relação às eleições presidenciais de 2026, Miranda acredita que ainda não há um impacto significativo sobre a bolsa de valores brasileira, apesar de ser uma das forças que a influenciam. Ele acrescenta que outros fatores, como a expectativa de diminuição das taxas de juros e a tributação de dividendos, também desempenham papéis importantes nesse cenário.
Contudo, ele prevê que, com a aproximação do período eleitoral, a partir de abril do próximo ano, pode ocorrer uma mudança na percepção do mercado, especialmente se houver expectativa por uma política fiscal mais responsável em 2027.
Miranda mencionou que uma figura política que tem gerado simpatia no mercado é Tarcísio de Freitas. A expectativa seria de uma política fiscal austera, privatizações e o Brasil se posicionando favoravelmente na cadeia de suprimento global. Ele afirma: “Se [a vitória nas eleições] for à direita, é bolsa em 200.000 pontos para mais.”
No entanto, para os investidores, não há motivo para pânico, uma vez que a percepção dos investidores estrangeiros mostra que as diferenças entre os candidatos são vistas de forma menos extrema. “Tarcísio não vai levar o Brasil para ser a Noruega, e Lula não vai levar o Brasil para ser a Venezuela”, conclui Miranda.
Virada da direita na América Latina
Durante a conversa, Miranda também comentou que o cenário político global, especialmente na América Latina, tem mostrado um retorno dos governos de direita. Recentemente, países como Argentina, Bolívia e Chile foram exemplos de mudanças significativas no poder político. Isso pode influenciar não apenas o mercado financeiro, mas também a mobilidade e as decisões econômicas a nível regional.
Os motoristas e a população em geral podem sentir os impactos dessas mudanças políticas nas suas rotinas, por meio de políticas que possam afetar os custos de combustível, investimentos em infraestrutura e a regulamentação do transporte, essencial para a mobilidade urbana. Deste modo, a atenção aos desdobramentos do mercado e da política se torna fundamental para uma visão mais ampla do futuro econômico do Brasil.
Fonte: moneytimes





