Homens com queixas de passageiras perdem corridas na 99.

Motoristas da 99 têm reclamado de um fenômeno curioso: durante a noite e a madrugada, muitos afirmam que não recebem chamadas de passageiras mulheres. Isso levanta uma questão importante: a situação é realmente essa? E se sim, quais são os motivos?

Após várias reclamações, a própria 99 decidiu se manifestar. Influenciadores foram convidados para discutir diretamente com a diretoria, e o tema em pauta foi claro. O recado oficial é que a empresa confirmou a existência de um filtro. Segundo a 99, não se trata de um bloqueio, mas sim de uma estratégia para distribuir corridas considerando o “risco” associado.

O que a 99 diz que está acontecendo

Conforme explicado pelo diretor Leandro, a plataforma utiliza inteligência artificial para avaliar, em tempo real, quais corridas são mais “sensíveis”. Por exemplo, uma mulher que solicita um carro sozinha na madrugada ou em uma área deserta. Nesses casos, o aplicativo tenta selecionar o motorista considerado mais seguro para a corrida.

Como a 99 define essa segurança? O algoritmo combina o perfil da corrida com o histórico do motorista. Motoristas que já receberam reclamações, denúncias ou tiveram comentários sobre assédio ou comportamento inadequado são vistos como um risco maior, mesmo que discordem das acusações. Como consequência, homens com reclamações podem acabar sem corridas de mulheres, especialmente em horários críticos.

A 99 afirma que o sistema não se baseia em um único evento ou nota, mas em mais de 300 critérios analisados ao longo do tempo, buscando evitar injustiças. Em outras palavras, não é uma simples avaliação negativa, mas um conjunto de indicadores.

Um exemplo simples para entender

Imagine dez motoristas na mesma região e várias mulheres solicitando corridas. O motorista com o “score” mais alto é escolhido primeiro, enquanto os demais ficam em segundo plano. Se sempre aparecem motoristas com pontuação superior, aquele com um “score” menor pode passar a noite inteira sem receber chamadas de mulheres, mesmo estando ativos e disponíveis.

Assim, na prática, ele não está formalmente bloqueado, mas acaba no final da fila.

Minha opinião

Compreendo a posição da 99: assédio e violência contra mulheres são questões sérias, e a plataforma tem a responsabilidade de mitigar riscos. Valorizar motoristas com bom histórico é compreensível, mas a falta de transparência é um ponto crítico. Se um motorista percebe que não está recebendo chamadas, ele deve entender o motivo e como pode melhorar sua situação. Atualmente, muitos não sabem como agir ou contestar.

A própria 99 reconheceu essa lacuna e anunciou planos para 2025/2026, com materiais educativos, avisos mais claros no aplicativo e orientações sobre comportamento para motoristas e passageiros. Isso é um avanço, mas precisa ser implementado com eficácia.

O que o motorista deve tirar disso

  1. Seu comportamento é fundamental. O que é normal em uma área pode ser considerado invasivo em outra.
  2. Reclamações constantes impactam negativamente sua classificação. Mesmo que você ache injusto, elas contarão.
  3. Considere gravar suas corridas. Câmeras e áudio podem proteger contra denúncias infundadas.
  4. A plataforma deve ser mais clara. Sem aviso e possibilidade de resposta, a situação se torna uma punição silenciosa.

Em resumo, o filtro existe e foi admitido pela 99. Agora, a discussão se concentra em como implementar essa estratégia sem que motoristas corretos enfrentem penalidades por falta de clareza.

Qual é a sua opinião sobre essa política? Trata-se de uma medida de segurança necessária ou uma punição disfarçada?

Fonte: 55content

Equipe Redação

Equipe de redação é um grupo de profissionais que trabalham juntos para criar conteúdo escrito para Motorista.com.br
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