CEO da Uber: Automação de veículos será desafio em 15 anos

Durante sua participação no All-In Summit 2025, realizado no dia 17 de setembro, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, destacou a ampliação das iniciativas da empresa no setor de mobilidade autônoma. Segundo o executivo, a Uber mantém atualmente mais de 20 parcerias ativas com empresas de tecnologia autônoma, incluindo startups chinesas e grandes players globais, como a Waymo, responsável por operações em Atlanta e Austin.

“Temos uma parceria com a Waymo, que acredito ser uma das melhores do setor”, afirmou Khosrowshahi durante o evento. O CEO disse que a empresa está trabalhando para consolidar novas parcerias ainda em 2025, com previsão de expansão no Texas, Europa e outras regiões.

De acordo com Khosrowshahi, a Uber está adotando um modelo híbrido, no qual veículos autônomos operam lado a lado com motoristas humanos. O executivo destacou que veículos com motoristas de segurança já estão nas ruas, mas que, ao longo de 2025 e especialmente em 2026, muitos desses motoristas deixarão de ser necessários, com a expectativa de que um número significativo de carros opere de forma totalmente autônoma.

Khosrowshahi também mencionou que, na China, já existem empresas com veículos de nível 4 (sem motorista de segurança) e elogiou o histórico de segurança dessas tecnologias: “As capacidades dessas empresas são incríveis. Elas levam a segurança tão a sério quanto as empresas ocidentais”.

A empresa defende que sistemas autônomos podem ser “sobre-humanos em termos de segurança” e afirma que a evolução desses modelos poderá “salvar milhões de vidas ao longo do tempo”, além de tornar a mobilidade sob demanda mais acessível. Esse tipo de inovação não apenas promete maior segurança nos transportes, mas também poderá reduzir congestionamentos, impactando positivamente a mobilidade urbana ao incentivar formas de transporte mais eficientes.

Questionado sobre a diferença entre a abordagem da Uber e a da Tesla, Khosrowshahi explicou que os modelos de desenvolvimento são distintos. A Tesla adota uma estratégia baseada exclusivamente em câmeras e software, sem uso de mapas HD ou redundância de sensores. Já os parceiros da Uber utilizam câmeras, radares, sensores LIDAR e mapas de alta definição, o que, segundo o executivo, facilita a percepção do ambiente e o planejamento do trajeto.

“A abordagem da Tesla é mais exigente em termos de software e mais econômica no hardware”, resumiu. A Uber, por sua vez, estabelece critérios técnicos e de segurança que seus parceiros devem cumprir. “Queremos que aparecer na plataforma Uber seja o mais seguro possível. Nossa definição de segurança é ser várias vezes mais seguro do que um ser humano”, reforçou.

Modelo de negócios deve evoluir para frotas financiadas por investidores

Durante o evento, Khosrowshahi também abordou os impactos do avanço dos robôs-táxi sobre o modelo de negócio da Uber. Historicamente, a empresa se beneficiou do chamado efeito de rede — quanto maior o número de motoristas, maior a oferta e menor o tempo de espera para os usuários. Com a chegada de veículos autônomos, esse modelo pode mudar.

Segundo o CEO, a Uber pretende continuar atuando como plataforma intermediadora, oferecendo sua rede a empresas que operam frotas de carros autônomos. “A utilização em nossa rede será maior. Isso significa que o parceiro que operar conosco terá mais milhas gerando receita por carro do que quem atuar de forma independente”, explicou.

A empresa prevê que, no futuro, as frotas de veículos autônomos serão financiadas por investidores institucionais, de forma semelhante ao setor hoteleiro. “Esses veículos serão adquiridos por fundos financeiros e operados na nossa rede”, disse. Durante a transição para esse modelo, a Uber afirma que está disposta a assumir o risco no balanço para comprovar a viabilidade do negócio.

Waymo já opera dentro da plataforma Uber nos EUA

A Uber confirmou que a Waymo, controlada pela Alphabet (empresa-mãe do Google), já atua com a Uber nas cidades de Austin e Atlanta. Passageiros que solicitam corridas por meio do aplicativo nessas regiões podem ser atendidos por um veículo autônomo da Waymo.

“Nossos clientes gostam. É um carro novo, moderno e com privacidade”, afirmou Khosrowshahi. A empresa informou ainda que os usuários que testam o serviço costumam avaliá-lo com notas altas e voltam a utilizá-lo.

Por fim, o executivo mencionou iniciativas em que a Uber fornece dados gratuitamente para cidades interessadas em melhorar sua infraestrutura de mobilidade. As informações ajudam na definição de locais para recarga de veículos, desembarque de passageiros e otimização do tráfego urbano. Essa colaboração entre a empresa e as cidades pode levar a um planejamento urbano mais inteligente, refletindo em uma melhor qualidade de vida para os cidadãos.

“Ajudamos as cidades a entenderem onde colocar infraestrutura de carregamento, estacionamentos e outros elementos que melhorem o fluxo de tráfego”, declarou. Apesar disso, a empresa reconhece que essa frente ainda representa uma pequena parte do negócio.

Empresa amplia visão para mobilidade em três dimensões e entrega por robôs

Segundo o executivo, a Uber está investindo no conceito de mobilidade tridimensional, com destaque para veículos aéreos elétricos e drones de entrega.

“Somos investidores da Joby e trabalharemos com eles conforme esses veículos forem disponibilizados”, afirmou. A Joby Aviation desenvolve aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), e faz parte da estratégia da Uber para explorar a chamada “terceira dimensão” da mobilidade urbana — áreas verticais ainda pouco utilizadas em comparação com o crescimento urbano e corporativo em edifícios. Essa inovação pode não só descongestionar o tráfego terrestre, mas também diversificar as opções de transporte disponíveis, oferecendo mais conveniência aos usuários.

Drones e robôs de calçada compõem plano de entregas autônomas

Segundo a Uber, a expansão dos serviços de entrega está sendo estruturada em duas frentes principais. A primeira envolve robôs de calçada, que já estão em operação em cidades como Los Angeles e Santa Mônica. Esses pequenos veículos autônomos circulam lentamente pelas calçadas e são usados para entregas de curta distância, de até 1,6 quilômetro.

“Estamos trabalhando com a Servi, a Kardam e vários outros parceiros nos Estados Unidos, Japão e outros mercados”, declarou Khosrowshahi.

A segunda frente inclui drones, voltados para entregas em áreas suburbanas, com menor densidade vertical. De acordo com a empresa, as duas tecnologias podem, juntas, atender a mais de 50% das demandas de entrega. O restante, especialmente o “primeiro e último quilômetro” — como retirar um pedido no restaurante ou entregá-lo em apartamentos — ainda depende de atuação humana. A Uber afirma que estuda novas soluções para essa etapa do processo logístico, ampliando ainda mais as opções de entrega rápidas e convenientes para os consumidores.

Uber reporta alta lucratividade e anuncia recompra de ações

Durante a apresentação, Khosrowshahi também abordou a saúde financeira da Uber. Segundo o CEO, a empresa gerou mais de US$ 8,5 bilhões em fluxo de caixa nos últimos 12 meses e prevê crescimento contínuo nos próximos anos. Com base nesse cenário, a Uber anunciou um programa de recompra de ações no valor de US$ 20 bilhões.

“Estamos confiantes de que temos capital suficiente para investir agressivamente em veículos autônomos e frotas, e ao mesmo tempo recomprar nossas ações”, afirmou.

A empresa também mantém parcerias com startups como a Nuro e considera novos aportes em players emergentes no setor de veículos autônomos, desde que atendam aos critérios técnicos e de segurança da Uber.

Expansão das entregas sob demanda e digitalização do setor alimentício

A Uber Eats, plataforma de entregas da empresa, continua em crescimento. Segundo Khosrowshahi, a tendência é de que restaurantes, supermercados e varejistas em geral invistam em logística sob demanda e tecnologias autônomas. A empresa já colabora com iniciativas como o Otter, sistema de gestão para restaurantes, e com serviços de cozinhas na nuvem.

“Negócios de alimentos que não estiverem envolvidos com entregas sob demanda perderão participação de mercado”, afirmou. A Uber acredita que, com o avanço da robotização e a maior disponibilidade de refeições saudáveis a preços mais acessíveis, seu negócio de entrega continuará se beneficiando, favorecendo não apenas a conveniência dos consumidores, mas também a redução do impacto ambiental associado ao transporte tradicional de mercadorias.

Uber se consolida como plataforma de distribuição leve e escalável

Khosrowshahi classificou a Uber como uma “rede de distribuição altamente líquida e com poucos ativos”. A proposta da empresa é conectar milhões de usuários a serviços de mobilidade e entrega por meio de parcerias com operadores de frota, reduzindo a necessidade de investimentos próprios em veículos.

“O valor da demanda incremental gerada por nossa rede é muito alto para os parceiros. Podemos manter o capital leve e ainda assim investir no ecossistema”, disse.

Convite público à Tesla para integrar robôs-táxis à rede Uber

Questionado sobre uma possível colaboração com a Tesla, Khosrowshahi foi direto ao propor a integração dos robôs-táxis da empresa de Elon Musk à plataforma Uber. Segundo ele, a Uber poderia maximizar a receita desses veículos por meio de sua base de usuários e sua infraestrutura operacional.

“Hoje, nós somos o ingresso para a maximização da receita desses táxis robôs. Adoraríamos fazer parceria com eles, mas, neste momento, a Tesla quer seguir sozinha”, afirmou.

Impactos sobre os motoristas e estratégias de transição

Ao ser questionado sobre o impacto da automação no emprego de motoristas e entregadores, Khosrowshahi reconheceu que esse tema exige atenção. Segundo ele, a transição será gradual e, nos próximos cinco a sete anos, a plataforma crescerá mais rápido do que o número de robôs, o que permitirá manter os motoristas ativos. Essa dinâmica proporciona um período de adaptação para motoristas, garantindo que a transição financeira e profissional seja mais suave.

Ao abordar os desafios futuros da automação, o CEO reconheceu: “Mas acho que, daqui a 10 a 15 anos, isso vai ser um problema real. E não tenho uma resposta clara para isso. Agora estamos encontrando outros tipos de trabalho.” Essa visão destaca a necessidade de preparar os motoristas para novas oportunidades no mercado, seja por meio de treinamento ou de adaptações nas funções disponíveis.

Em mercados como Austin, onde já há operação autônoma, a Uber informou que reduziu o ritmo de recrutamento de novos motoristas, mas garantiu que os profissionais atuais seguem com boas oportunidades de ganhos. “Os motoristas de Austin agora estão ganhando tanto ou mais do que ganhavam antes de introduzirmos a Waymo”, disse.

Por fim, Khosrowshahi destacou a mudança de posicionamento da Uber, que passa a se enxergar como uma plataforma de trabalho sob demanda: “O transporte foi o primeiro tipo de trabalho. Agora estamos expandindo para outros tipos de trabalho, como soluções de IA. Queremos ajustar o tipo de trabalho disponível para as pessoas que querem ganhar dinheiro com nossa própria plataforma.” Essa mudança de foco pode oferecer novas oportunidades, ajudando a adaptar a força de trabalho às demandas emergentes do futuro.

Fonte: 55content

Equipe Redação

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