Aumento da procura por motoristas na logística brasileira

Setor movimenta mais cargas e gera novas vagas, mas enfrenta queda no número de profissionais disponíveis.
O Brasil tem registrado um aumento expressivo na abertura de vagas para motoristas, impulsionado pelo avanço do setor de logística. Nos seis primeiros meses de 2025, foram 6.405 novas oportunidades criadas, o equivalente a 87,7% de todo o volume de 2024, segundo o Banco Nacional de Empregos.
São Paulo concentra o maior número de ofertas, enquanto o Paraná lidera em candidaturas, com 10.925 inscrições. Esta alta acompanha a expansão logística, que cresceu 15,84% em vagas no primeiro trimestre de 2025. O aumento do comércio eletrônico e a necessidade de transporte em diferentes regiões do país sustentam esse movimento, refletindo diretamente na mobilidade e na eficiência do abastecimento urbano e rural.
Além de motoristas, cargos como estoquista e almoxarife também estão em alta. Dados da Associação Brasileira de Operadores Logísticos mostram que o setor movimentou R$ 192 bilhões em 2023, o que representa 1,8% do PIB e gerou 2,3 milhões de empregos diretos e indiretos. Esse crescimento não apenas cria novas oportunidades, mas também contribui para a agilidade e a fluidez do sistema logístico nacional, beneficiando todos os cidadãos com um acesso mais rápido a produtos e serviços.
Apesar do cenário de crescimento, a base de profissionais tem encolhido. O Instituto de Logística e Supply Chain aponta que o número de caminhoneiros caiu de 5,5 milhões em 2014 para 4,4 milhões em 2024, uma queda de 20%, equivalente a 1,1 milhão de profissionais a menos. Esse descompasso entre a demanda por motoristas e a oferta de mão de obra qualificada pode resultar em consequências negativas para a mobilidade, comprometendo a eficiência do transporte e a entrega de mercadorias.
Outro dado preocupante é a baixa participação de jovens. Levantamento do Instituto Paulista de Transporte de Cargas mostra que mais de 75% das admissões em 2024 foram de motoristas entre 31 e 50 anos. Essa falta de renovação na profissão pode afetar a sustentabilidade da logística a longo prazo, já que a inovação e a adaptação às novas tecnologias exigem um fluxo constante de novas gerações de profissionais.
Para especialistas, o setor enfrenta um descompasso: cresce a oferta de vagas, mas diminui a disponibilidade de mão de obra. “A dificuldade em atrair novas gerações para a profissão representa um desafio para a sustentabilidade da logística”, afirma José Tortato, COO do BNE. A formação de parcerias entre entidades educacionais e o setor privado pode ser uma solução viável para reverter esse quadro, promovendo um fortalecimento da classe e uma melhora na mobilidade geral.
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Fonte: www.cartadelogistica






