Entregador do RJ conta: ‘Apanho R$ 1 por km e percorro 250 km/dia’

Minha média é R$ 1 por km. Rodo cerca de 250 km por dia, relata entregador de app do RJ
Amsterdam Sousa, conhecido como Mister, deu início à sua trajetória como entregador de aplicativos em 2019, depois de enfrentá-las como camelô em Niterói. Essa mudança foi mais do que uma opção, foi uma estratégia para superar as dificuldades financeiras e buscar um novo caminho profissional.
Hoje, Mister não apenas entrega comida, mas também luta por melhores condições de trabalho para todos os entregadores. Ele é o fundador do movimento “A Voz dos Entregadores”, onde compartilha experiências, orientações e busca fortalecer a categoria por meio de engajamento coletivo. Essa atuação não apenas melhora as condições para a profissão, mas também reflete diretamente na mobilidade urbana de Niterói e região.
A atuação desses entregadores impacta positivamente a mobilidade na cidade. Ao prestar serviços que agilizam entregas, contribuem para a redução do trânsito em horários de pico. Mister relata que prefere trabalhar à noite, quando a demanda é alta e o trânsito, mais leve. Essa escolha não só otimiza seu rendimento, como também melhora a fluidez nas vias urbanas, beneficiando a grande massa que se utiliza do transporte público ou de veículos particulares.
Entretanto, os desafios são muitos. Ao trabalhar sob pressão e com baixos ganhos, como os R$ 1 por quilômetro rodado, a realidade pode ser desgastante. Mister menciona que sua média de 250 km por dia é um reflexo não apenas de sua dedicação, mas também da necessidade de aumentar seus rendimentos e cobrir as despesas. Isso levanta uma questão importante: a necessidade de uma remuneração justa. Com ganhos adequados, ele e seus colegas poderiam ter mais qualidade de vida, reduzindo a carga de trabalho e melhorando sua saúde mental e física.
Além disso, a luta por um PL (projeto de lei) que visa garantir uma taxa mínima de R$ 10 por entrega representa uma esperança para todos que atuam nesse ramo. Caso aprovado, esse projeto não só aumentaria os ganhos dos entregadores, mas também impactaria a forma como os serviços de entrega se integram ao cotidiano da mobilidade urbana. Uma remuneração mais justa poderia levar a um aumento no número de entregadores qualificados e comprometidos, sugerindo um serviço de maior qualidade para os consumidores.
Enquanto isso, a educação sobre o funcionamento do setor é crucial. Mister, por meio de sua voz ativa, encoraja outros a participarem, trocarem experiências e buscarem melhorias em conjunto. Essa coesão não apenas fortalece a profissão, mas também contribui para que a mobilidade urbana se torne mais sustentável, segura e eficiente.
Para aqueles que desejam iniciar nessa área, Mister sugere que a entrega via apps seja vista como uma renda extra, e não como o único meio de subsistência. Essa abordagem permite que os trabalhadores tenham mais liberdade e opções, um fator que pode, a longo prazo, influenciar positivamente a mobilidade nas cidades.
O impacto do trabalho dos entregadores vai além do que se vê nas ruas. Cada entrega finalizada representa um passo em direção à valorização desse segmento, que luta para ser mais reconhecido e respeitado na sociedade. E, para motoristas e cidadãos em geral, isso significa um futuro onde a mobilidade pode ser mais eficiente e menos estressante, refletindo uma nova realidade de coexistência entre tecnologia e serviço ao próximo.
Fonte: Motorista.






