Aumento do QAV impacta a aviação.

Preço do QAV pressiona setor aéreo

Um estudo recente da CNT destaca a complexa relação entre o preço do querosene de aviação (QAV), o câmbio, e o mercado de petróleo, refletindo diretamente nos custos operacionais das companhias aéreas. O QAV, que constitui 99% do consumo na aviação comercial brasileira, representa cerca de 36% desses custos, superando a média global de 31%.

A produção nacional de QAV tem mostrado sinais de recuperação, alcançando 5,86 bilhões de litros em 2024. No entanto, o Brasil ainda depende de importações para suprir uma parte significativa da demanda; entre 2000 e 2024, elas corresponderam a 17,4% da oferta média. Este cenário é exacerbado por gargalos logísticos e uma concentração de mercado preocupante, onde apenas duas refinarias foram responsáveis por 96,6% da produção em 2024.

A pesquisa também revela que a demanda interna tem impacto limitado sobre os preços, que são mais sensíveis a variáveis externas e internas, como a competição entre o QAV e o diesel as refinarias. A antiga política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que vigorou até 2023, agravou o cenário, alinhando os preços internos aos internacionais. A sua descontinuação não resolveu os desafios logísticos e a alta carga tributária, que continuam a pressionar os custos.

A CNT também aborda o futuro sustentável da aviação no Brasil, considerando os combustíveis sustentáveis (SAF), que poderiam reduzir até 80% das emissões. No entanto, os custos ainda são proibitivos, chegando a ser quatro vezes superiores ao do QAV convencional.

Fernanda Rezende, diretora executiva interina da CNT, comenta que a pesquisa visa promover maior transparência e auxiliar na formulação de políticas públicas e decisões estratégicas, oferecendo uma visão dos desafios que o setor aéreo enfrenta em território brasileiro.

O mercado de QAV no Brasil é dominado pela Petrobras e três distribuidoras que controlam 98% da distribuição. O abastecimento em aeroportos fora de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ), que recebem combustível por dutos, depende de transporte rodoviário, aumentando custos e riscos.

Apesar da autossuficiência em petróleo bruto, o Brasil ainda enfrenta limitações na capacidade de refino de QAV. A CNT sugere uma série de medidas para melhorar a eficiência do mercado, incluindo a redução da carga tributária e investimentos em infraestrutura logística. Além disso, recomenda que as companhias aéreas adotem estratégias operacionais como a otimização de rotas para mitigar os impactos dos custos elevados.

A compreensão da formação de preços do QAV não é apenas vital para a saúde do setor aéreo, mas também para a mobilidade geral do país. O aumento dos custos pode levar a tarifas mais altas, impactando o acesso ao transporte aéreo e, consequentemente, a conectividade entre regiões. Portanto, é fundamental que os motoristas e todos os envolvidos na mobilidade urbana estejam cientes dos impactos que essas dinâmicas do setor aéreo podem ter sobre a economia e o cotidiano das pessoas.

Fonte: Carta de Logística

Equipe Redação

Equipe de redação é um grupo de profissionais que trabalham juntos para criar conteúdo escrito para Motorista.com.br
Botão Voltar ao topo