OEA critica saída do Brasil de fórum contra Holocausto

Comissário da OEA critica saída do Brasil de grupo anti-Holocausto

O comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA) para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo, Fernando Lottenberg, manifestou sua desaprovação em relação à decisão do governo brasileiro de retirar o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). Desde 2021, o Brasil atuava como membro observador da organização, ingressando durante a gestão de Jair Bolsonaro.

A retirada foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, sem um aviso formal do Brasil. Diplomatas israelenses informaram que a medida já tinha sido comunicada à Embaixada de Israel em Brasília. Em resposta, o ministério israelense criticou severamente a decisão, classificando-a como uma "falha moral" e apontando que, em tempos em que Israel luta por sua própria existência, a atitude do Brasil é vista como imprudente.

A saída do Brasil da IHRA ocorre em um contexto de crescentes tensões entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Benjamin Netanyahu. Desde que Lula reassumiu a presidência, as relações entre os dois países têm se deteriorado, com Israel acusando o governo brasileiro de apoiar o Hamas, enquanto Lula, por sua vez, critica as ações militares israelenses na Faixa de Gaza. Em fevereiro de 2024, Lula comparou os ataques israelenses a ações do Holocausto, resultando em seu reconhecimento como “persona non grata” pelo governo israelense.

Como resposta a essas tensões, o Brasil retirou seu embaixador de Tel-Aviv e reduziu o nível de sua representação diplomática. Além disso, a aprovação do novo embaixador israelense no Brasil ainda não foi homologada pelo governo brasileiro. O distanciamento se acentuou com a adesão do Brasil a uma ação judicial contra Israel na Corte Internacional de Justiça, o que foi prontamente vinculado à retirada da IHRA.

A IHRA, criada na década de 1990, coordena esforços internacionais voltados à preservação da memória do Holocausto e ao combate ao antissemitismo, envolvendo mais de 45 países e cerca de 2 mil instituições. Lottenberg enfatizou que a participação do Brasil na IHRA seria um sinal de compromisso com a educação sobre o Holocausto e a promoção da paz, caracterizando a decisão do governo como equivocada.

Ele destacou que, embora o Brasil não tenha adotado formalmente a definição de antissemitismo da IHRA, várias entidades nacionais já têm aderido a essa definição, evidenciando a importância do assunto. Lottenberg sublinhou que a crítica ao governo israelense não deve interferir no trabalho essencial da IHRA.

Em um contexto onde o antissemitismo e outras formas de ódio vêm crescendo, é vital que gestos diplomáticos não coloquem em risco a segurança de comunidades vulneráveis. A decisão do Brasil não apenas repercute em termos diplomáticos, mas também pode influenciar a mobilidade social e a convivência harmônica entre os diversos grupos que compõem a sociedade brasileira.

A saída da IHRA pode ser vista como um retrocesso na luta contra discriminações e preconceitos, refletindo um momento importante na trajetória do Brasil em relação a posicionamentos globais sobre direitos humanos e a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

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Equipe Redação

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