Instituto Mauá e UFSM avaliam etanol em motores diesel de caminhões

Imagem de Google Gemini

O Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em colaboração com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e apoio de empresas como a Tupy, está à frente de um programa inovador que investiga a viabilidade do uso de etanol hidratado em motores pesados originalmente projetados para óleo diesel. Esta iniciativa dá continuidade a estudos iniciados nas décadas de 1970 e 1980, utilizando avançadas técnicas de modelagem computacional, testes em bancada e sistemas eletrônicos de controle.

Ao contrário de projetos que convertem motores diesel para ignição por centelha, esta pesquisa mantém a ignição por compressão, realizando mudanças mínimas no hardware original. O foco é validar a tecnologia multicombustível em aplicações pesadas, como máquinas agrícolas e caminhões, aproveitando a robusta infraestrutura de abastecimento e o parque de motores já estabelecido no país.

O professor Mario Eduardo Santos Martins, coordenador do Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões (GPMOT) da UFSM, comemora os resultados alcançados nos testes em bancada, que indicam que a migração do diesel para o etanol não compromete torque ou potência. “Estamos mostrando que a plataforma diesel pode incorporar etanol com ações corretas e mínimas”, ressalta.

Imagem de Instituto Mauá de Tecnologia

Essa tecnologia também oferece aos frotistas uma maior resiliência e competitividade, especialmente diante da volatilidade de preços e da disponibilidade dos insumos. Isso abre a possibilidade de utilização futura de outros combustíveis sustentáveis, como o metanol. Segundo André Ferrarese, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Tupy, “essa flexibilidade permite uma melhor utilização do ativo e elimina preocupações quanto à disrupção em cadeias de suprimentos, mantendo a atratividade para revenda”.

Além de proporcionar ganhos operacionais e uma redução nas emissões de poluentes, a pesquisa se concentra na aplicabilidade prática e viabilidade no contexto brasileiro. O professor de engenharia mecânica Clayton Zabeu enfatiza que esta tecnologia pode facilitar uma transição para um sistema mais sustentável, estimulando soluções mais eficientes que beneficiarão toda a sociedade, ao mesmo tempo em que minimizam o impacto ambiental.

O cronograma do projeto prevê que, no segundo semestre de 2026, haverá um refinamento da calibração do motor por meio de simulações computacionais, com testes de campo programados para 2027. Essa perspectiva não apenas promete revolucionar o setor de transporte pesado, mas também transformar a mobilidade em um cenário mais sustentável e eficiente.

Equipe Redação

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