Caminhoneiros ainda sofrem financeiramente com novas regras do CIOT.

Caminhoneiros continuam enfrentando dificuldades financeiras mesmo com novas regras do CIOT

A implantação de novas regras para o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) trouxe um avanço significativo no controle das contratações de frete no Brasil. No entanto, esses avanços não eliminaram as dificuldades financeiras enfrentadas pelos caminhoneiros. Mesmo com mecanismos de fiscalização e validação do pagamento mínimo em determinadas operações, os profissionais continuam lidando com altos custos para manter seus veículos operacionais.

Entre as principais despesas que afetam a receita dos caminhoneiros estão o preço do diesel, os gastos com pneus, manutenção, alimentação, pedágios e as parcelas de financiamento dos caminhões. Para muitos transportadores autônomos, receber um frete que atende às exigências legais não garante uma margem suficiente para a continuidade de sua atividade.

CIOT aumenta fiscalização sobre o pagamento do frete

O CIOT, utilizado para registrar operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, implementou medidas mais rigorosas com a Resolução ANTT nº 6.078/2026. Essas medidas visam garantir que os fretes pagos estejam de acordo com o piso mínimo estabelecido, impedindo que operações com remuneração inferior sejam realizadas. Embora essa fiscalização represente um passo na direção correta, uma limitação importante é que nem todas as operações são obrigadas a seguir o piso mínimo, o que pode levar a disparidades no setor.

Diesel continua pesando no orçamento dos caminhoneiros

O custo do diesel, um dos maiores desafios enfrentados pelos caminhoneiros, impacta diretamente na viabilidade financeira de suas operações. Além do abastecimento, um caminhoneiro deve considerar esforços contínuos para manter o veículo em boas condições, o que inclui reservas para manutenção, troca de peças e eventuais reparos. Problemas inesperados podem resultar na imobilização do veículo, acarretando perda de receita.

Da mesma forma, os autônomos enfrentam diversas outras despesas ligadas à propriedade do caminhão, como seguros e documentação, que se somam ao peso financeiro já significativo.

Frete mínimo não significa lucro garantido

Embora a política de pisos mínimos para fretes tenha sido uma conquista legal, ela não garante lucros, apenas estabelece um teto inferior para o valor do serviço. A Lei nº 13.703/2018 define fatores que influenciam o cálculo do piso, mas os caminhoneiros precisam estar cientes de que tributação, margem de lucro e taxas administrativas são gastos reais que não são cobertos simplesmente pelo cumprimento do piso.

A ANTT ressalta que o piso mínimo é uma referência, permitindo que as partes negociem valores superiores, caso desejem. No entanto, essa flexibilidade nem sempre se traduz em melhores condições financeiras.

Caminhoneiros ainda dependem de melhores condições de trabalho

Apesar das mudanças no registro e controle das operações de transporte, a realidade financeira dos caminhoneiros é influenciada por fatores que vão além do CIOT. A disponibilidade de cargas para retorno, a qualidade dos pontos de parada, a redução nos períodos de espera e as condições de pagamento são aspectos essenciais que afetem diretamente a rentabilidade de cada viagem.

Uma viagem que parece lucrativa à primeira vista pode resultar em prejuízo quando se considera todos os custos operacionais, incluindo deslocamentos sem carga. Assim, o desafio do setor é garantir que os mecanismos de fiscalização estejam acompanhados de melhorias nas condições econômicas, possibilitando que os caminhoneiros mantenham seus veículos em funcionamento e recebam uma remuneração justa.

Os motoristas, portanto, precisam de um ambiente mais favorável que não se restrinja à fiscalização, mas que também promova condições que viabilizem a atividade de transporte como um todo, garantindo a sustentabilidade e a eficiência do setor de transporte rodoviário no Brasil.

Fonte: brasildotrecho

Equipe Redação

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