Lula prometeu “abrasileirar” combustíveis, mas diesel supera R$ 7 ao fim do mandato.

Lula prometeu “abrasileirar” combustíveis em 2022 e chega ao fim do mandato com diesel acima de R$ 7
O preço dos combustíveis voltou a ser um tema central no debate político no final do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante sua campanha presidencial em 2022, uma das promessas do candidato foi a reformulação da política de preços da gasolina e do diesel no Brasil. Lula defendia uma mudança que abandonasse a política baseada na variação internacional dos preços e buscava "abrasileirar" os valores, levando em conta os custos nacionais e aumentando a produção de derivados no país.
O compromisso não se limitou a meras declarações. As diretrizes do novo governo focaram na necessidade de desvincular os preços internos da volatilidade do mercado internacional. Em julho de 2022, Lula reafirmou que, se eleito, mudaria a política de preços da Petrobras, almejando reduzir a influência do dólar sobre os combustíveis.
A transformação realmente ocorreu. Em maio de 2023, a Petrobras abandonou a paridade de importação como referência automática para os reajustes. Lula utilizou o termo “abrasileirar” novamente, apresentando essa mudança como um cumprimento de sua promessa de campanha. No entanto, essa reformulação não garantiu que os preços da gasolina e do diesel fossem imunizados contra as oscilações do mercado internacional. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) pontuou que os valores pagos nos postos dependem de múltiplos fatores, como os preços nas refinarias, impostos, biocombustíveis, custos operacionais e a margem de lucro de distribuição e revenda.
Em 2026, enfrentamos uma nova explosão de preços. Dados da ANP indicaram que, em março, o preço médio do diesel subiu 16,23% em relação ao mês anterior, passando de R$ 6,10 para R$ 7,09 por litro. A situação se agravou em setembro, com uma alta de 6,5% no diesel S-10, alcançando seu maior valor desde abril. Essa escalada de preços reflete a dependência do Brasil das importações para atender parte de seu consumo interno.
O governo reconheceu essa fragilidade e anunciou novas medidas em setembro. O Ministério da Fazenda reportou que mais de 25% do diesel consumido no país provém de importações. Para mitigar os altos preços, foi autorizada uma subvenção de R$ 1 por litro de diesel no primeiro período, enquanto a gasolina teve a redução do PIS/Pasep e Cofins em R$ 0,63 por litro temporariamente.
Assim, mesmo com as mudanças na política da Petrobras durante o governo Lula, os consumidores seguem expostos a fatores externos. A diferença é que, em 2026, o governo recorreu à redução de impostos e ao uso de recursos públicos para tentar suavizar o impacto.
Com a proximidade das eleições, Lula voltou a abordar a questão em 30 de setembro, afirmando que, se reeleito, pretende adquirir uma distribuidora de combustíveis para reforçar a atuação do Estado no mercado. O presidente atribuiu parte da pressão atual aos conflitos internacionais e reafirmou que o governo usaria medidas para tentar controlar os preços.
Os números atuais renovam a relevância da promessa de 2022, especialmente para caminhoneiros e motoristas em geral. Embora a política da Petrobras tenha mudado, os preços ainda estão atrelados ao cenário do petróleo internacional, às importações, aos impostos e às margens de lucro ao longo da cadeia de distribuição. Esse contexto traz à tona uma reflexão crítica sobre como a política de combustíveis e as intervenções do governo impactam diretamente a mobilidade no Brasil. Motoristas e trabalhadores do transporte precisam de soluções sustentáveis que não apenas contemplem a redução dos preços, mas que também promovam a autonomia do setor e uma mobilidade mais eficiente e acessível.
Fonte: brasildotrecho






